Hora do chá

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica é uma cadeira que me deixa muito ocupada! Tanto, tanto mas tanto que até deu-me para escrever uma historiazinha (que tem tudo a ver com a matéria)…

E começa assim….

"Já passavam das 19 horas, a noite começa a espalhar a sua escuridão entre cada canto da aldeia, o silêncio imperava, mas o seu reinado acabava após o som mais temível, o som da morte.
O tiro que quebrou toda a rotina daquela aldeia, começou a gerar sentimentos novos, o pânico, o medo e a curiosidade.
Paulo um jovem de 25 anos, com alma curiosa decide sair e tentar descobrir de onde vinha aquele barulho tão temido e tão excitante, era um excelente caso para publicar na sua coluna do jornal da vila.
Pegou na sua máquina fotográfica e saiu pela porta fora.
A euforia era incontrolável, mesmo sabendo que era um acto cruel, esta era a sua única oportunidade para ser o bom freelancer.
Burburinhos era o que se ouvia agora, aos poucos ia tirando informação das pessoas igualmente curiosas. O saber do povo só indicava numa direcção, a casa do senhor governador, António Vilaverde, o homem mais temido daquela região.
Paulo chega por fim ao local, um pouco depois da polícia, deparava-se com um cenário horripilante, onde o vermelho era a cor mais predominante. As expressões de horror e de nojo na cara dos agentes mostravam o quão de humanos eram. Tudo era surreal.
Dois corpos caídos no chão desmembrados e mais um outro corpo estendido agarrado a um machado.
«Quem é que é capaz de coisa tão barbara?» perguntava-se, ao mesmo tempo que a sua máquina descontrolada tirava fotografias em tal cenário, acabando por se controlar quando um agente chega perto dele.
- O senhor não pode estar aqui! – Impunha-se o agente Santos.
- Isto é para o jornal, oh Santos! Tu sabes que isto é importante para mim, dá-me essa oportunidade. Tu sabes como te posso ajudar com informação, não sabes? – Repostava Paulo dando uma cotovelada.
- Hum está bem, mas só desta vez rapazinho.
- Obrigadão, e já agora! Tens alguma ideia de quem fez isto?
- Não rapaz, nunca vi tal coisa numa carreira de 28 anos. Isto é provável que tenha sido vingança. Sabes que o António Vilaverde tinha muita gente que o odiava, mas o que não bate certo é porque é que as filhas dele foram também assassinadas.
- De facto é bizarro.
O agente afastou-se, deixando Paulo mais a vontade. Ele reparou que a lâmina daquele machado estava limpa e que os corpos tinham sido arrastados, o local do crime daquelas duas jovens não tinha sido ali, mas o governador tinha morrido ali de certeza absoluta.
A pesquisa prolongou-se por longos e penosos dias, até ao dia que a antiga caseira confessou-lhe que as filhas ultimamente estavam muito distantes e estranhas com o pai. O jovem repórter achou estranho, António Vilaverde era viúvo e aparentemente um pai muito dedicado e as miúdas adoravam-no.
A curiosidade aumentava ao longo das entrevistas, até ao dia que decidiu ir a casa do falecido governador.
A casa estava abandonada, o silêncio era quebrado á medida que subia cada degrau, parecia que os quadros o perseguiam tal como a escuridão.
A sensação que não estar sozinho dominava Paulo. Eram 18 horas e 55 minutos.
Uma porta começava a bater… Era a porta do quarto das filhas do governador. Um quarto amplo, com cores fortes tendo na esquina uma grande escrivaninha com um caderno em cima.
Era um diário e na última página dizia: “Hoje descobri que o meu pai matou a minha mãe”.
Paulo ao ler isto ficou arrepiado e do silencio ouve se uma voz.
- Tu não devias saber de nada!
Eram 19 horas e o silêncio quebrou-se mais uma vez com o som da morte."

FIM... (ou não)


P.S.: As coisas que vos ensino...  Muito lúdico deveras!