Aqui vou publicar histórias escritas por mim (durante as algumas aulas muito interessantes, sou muito atenta, pensam o quê?) para tentar compensar a minha ausência de humor, sabem é que nesta época deixa-me lamechas e assim não consigo escrever mais aventuras dos nossos amigos. (É uma desculpa muito fofinha, não acham?) Até podia dizer que é a crise mas aí toda a gente dizia que estava a fazer plágio e batiam-me.
Então para inaugurar esta nova categoria aqui vai uma mini historiazinha (ou não)…
Chegava ao fim de mais um dia de aulas, o cheiro a terra molhada, e os chapéus coloridos marcavam forte presença em toda a estação.
- Espere, espere! – Corria uma jovem com pele de algodão, suave e branca, com curtos e encaracolados cabelos cor de ouro escondidos por um gorro cor de lima. Atrapalhada corria e gritava para um autocarro “surdo”, em vão, depressa apercebia que já não ia chegar a tempo á festa da sua melhor amiga.
«É sempre a mesma coisa! Lá vou eu ter que ir a pé!» Pensava ela a olhar para os sacos que se emaranhavam nos seus pequenos dedos.
Um barulho familiar aproximava-se, era o autocarro que vinha atrasado uma hora, num gesto mecânico chamava a atrasada camioneta.
- É um euro, certo?
- Isso já foi á muitos meses atrás minha senhora!
- Minha senhora não! Até me faz parecer mais velha! – Foi com uma gargalhada que Sofia tirava pela primeira vez os olhos em cima da carteira e neste modo, deparou-se com um jovem de olhos cor de mel, grandes e luzidios, de uma pele morena.
E nesse pequeno momento sentiu um rubor na sua cara e a sua pele pálida depressa ganhava cor em tons de rosa.
Ao aperceber-se voltou a baixar a cabeça para vasculhar os trocos da sua carteira.
- São um euro e cinquenta cêntimos, por favor!
Já em casa da sua melhor amiga, Sofia não parava de pensar na vergonha de ter corado em pleno autocarro.
- Então está cá? Terra chama Sofia!
- Oh desculpa linda estava distraída.
- Isso já sabíamos nós. Mas conta lá! Não me digas que já encontraste o príncipe encantado?
- Não, não! Isso é que era bom, infelizmente ainda sou solteira e boa rapariga.
- E daqui a uma semana serás, solteira e boa rapariga com um canudo na mão! – Gargalhadas espelhavam-se e alastravam-se em redor daquela grande mesa.
- Lá estão vocês!? O que estava a pensar era que ao apanhar o autocarro, o motorista era muito giro e corei, só isso! Ah e tive que pagar com a nota de Cinco euros que estava assinada por nós!
- Oh tu devias ter guardado essa nota!
- Não querias mais nada, não?! Vinha a pé e chegava atrasada à tua festinha!
- Meninas tenham calma, sabem que um dia vão volta-la a vê-la, as notas dão muitas voltas.
E tal como as notas a conversa dava voltas em volta do mesmo tema durante a noite inteira.
Os dias iam se passando e o tempo de estudante iam se acabando, as festas, as despedidas e as ultimas lágrimas de trabalho árduo eram os pontos mais vividos e marcantes naquela semana.
O telefone toca no meio de um discurso comovido de um aluno orgulhoso acabado de se formar.
- Estou, quem fala? – Sofia escondia-se entre as cadeiras e pessoas, falando em segredo.
- Oh minha nabiça sou eu o Ricardo! Então sempre vais de viagem amanha?!
- Ainda não sei! Mas olha eu já te ligo, OK?
- Mas está tudo bem?
- Simm, eu já te ligo. Agora não posso falar!
Naquele preciso momento uma dor súbita fez apagar aquele ensejo.
Um corpo inerte ficava rodeado por dezenas de pessoas cheias de pânico e de medo. Os segundos pareciam horas e o alívio aparecia á medida que se ouvia o som da ambulância.
Sons e luzes eram guardados na memória de Sofia. “O que se passaria?” Era a pergunta mais vezes ouvida naquele auditório.
Uma sombra aproximava-se cada vez mais e a consciência naquele momento perdeu-se.
- Bom dia doutor!
- Bom dia Sofia. Já estás com melhor cara desde á meses.
- É verdade, já me habituei á ideia! Não ganho nada em deixar-me vencer pelo medo e pela revolta! Cancro agora é a minha batalha e não posso ter medo do meu inimigo. – Respondia Sofia a tentar enganar os seus próprios sentimentos, toda ela termia, era a agonia!
- Vamos lá ver os teus exames!
A ânsia corria-lhe pelas veias e a esperança aumentava á medida que via as expressões que o médico fazia ao ver os exames.
- Então doutor?! Então?!
- Sofia, esta primeira batalha já ganhaste…
As lágrimas caiam-lhe de felicidade, abraçou-se á mãe, agradecendo todo o esforço, dedicação amor e coragem.
Esperança era a palavra que melhor descrevia aquele momento.
- Mãe, já ninguém vai olhar para mim, pois não? – Sofia olhava ao espelho já sem os seus fios dourados que tanto eram gabados quando era pequena. – Não me sinto mais mulher, não me sinto bonita nem desejada. É que já nem os parvos dos homens das obras mandam piropos.
- Filha não sejas tonta – lança-lhe um olhar terno com uma voz tremida – Tu és bonita com ou sem cabelo, com ou sem mama, e quando olharem para ti, é porque te amam de verdade, lembra-te tens amigos e muita gente não tem mesmo com cabelo e com peito! Esses nunca te vão deixar, porque és bonita. É pelo nosso interior que as pessoas nos amam, o exterior é apenas um extra. Mas tu és e sempre serás o meu tesouro mais bonito. Põe-te a pensar em coisas positivas para o teu futuro. Porque é isso que mais mereces neste mundo, seres feliz e rodeada por aqueles que te ama. Os amores vão e vêm, os amigos ficam, nunca te esqueças.
- Só tu para me animares. Vamos para baixo? Estão á nossa espera!
- Ah pois estão minha vaidosa… -abandonaram o quarto com o sorriso no rosto, ansiosas pela festa. Iam celebrar a vida e o futuro
- Sofia!! – Gritavam todos com um presente na mão. Ela chorava de alegria, a sua mãe tinha razão, os amigos ficam.
A noite estava animada os risos e as gargalhadas voltavam de novo naquele jardim depois de tanto tempo, as luzes iluminavam as caras de alegria. O cheiro a comida convidava a curiosidade dos vizinhos.
- Parabéns a você nesta data querida, muitas felicidades muitos anos de vida. Hoje é dia de festa cantam as nossas almas para a menina Sofia uma salva de palmas!
- Parabéns filha. – O pai emocionado entregou-lhe um envelope, que continha uma passagem de avião.
- Pai o que é isso? Paris?!
- Sim filhota Paris, era o teu sonho não era?
- Oh pai! Eu não merecia…
- Mereces sim, isto e muito mais.
As malas estavam á porta do aeroporto, a excitação estava ao rubro, era um sonho a realizar-se, a família e amigos despediam-se igualmente entusiasmados.
Seguiram na até onde puderam, deixando-a ir com um sorriso nos seus carnudos lábios.
Finalmente sentia-se bem, orgulhosa de si mesma e isso transparecia nos seus gestos e maneiras de estar, a sua autoconfiança era agora muito elevada. Por segundos até achou-se sensual, coisa que de certo modo a surpreendeu.
Faltavam poucos minutos para a aterragem, as hospedeiras já avisavam a colocação dos cintos para uma segura aterragem, era agora a contagem decrescente.
A brisa fresca matinal batia na face delicada de Sofia enquanto o taxista atrapalhado colocava as malas, por incrível que parecesse era um emigrante português.
- Oh jovem já estamos prontos para a viagem – Dizia ele a ajeitar as calças com um palito na boca.
«É mesmo português!» Pensava ela, fazendo um esforço para não se rir.
O trânsito estava estático, via-se pessoas a andar de bicicletas com baguettes no cesto e uma boa disposição, pessoas a passear o cão e a criança com toda a elegância. O céu estava nublado um cinzento que combinava com a cor dos antigos e magníficos edifícios.
O hotel estava perto, este tinha uma vista para a torre Eiffel e para o brilhante rio Sena.
Ao entrar no hotel dirige-se á caixa multibanco, com um andar entusiasmado deixa cair a sua écharpe vermelha.
- Desculpe!! – Choca contra alguém, mas este tinha um cheiro familiar. Ela vê uma nota de Cinco euros no chão. Ao agarra-la espanta-se, era a sua assinatura e das suas amigas, era a sua antiga nota.
- Não faz mal! – Suava uma voz masculina. Sofia ao olhar para cima surpreende-se de novo. – São um euro e cinquenta se faz favor. – Sorriu o cavalheiro.
De maneira automática ela fica com um tom rosa na sua face como a primeira vez, o cavalheiro era o motorista da camioneta atrasada.
- Você sabia, que foi essa sua timidez que me conquistou?
- Desculpe?! – Disse ela ainda incrédula.
- Não fique corada, não tem mal! Chegou hoje?
- Sim, sim e o senhor?
- Também. Eu sou o Filipe, prazer!
- Eu a Sofia… Já vi que nem em França falo francês?
- Não me diga que apanhou um taxista tuga?
- Nem mais! – Uma gargalhada soltou e quebrou todo aquele embaraço.
A partir daquele momento os olhares começaram a trocar-se com mais frequência. Sofia sentia-se mais viva do que nunca. Eram jantares, passeios, almoços, inseparáveis…
Era a última noite naquela cidade. Esta estava iluminada pela magia parisiense, o romantismo envolvia a paisagem vista de cima da torre Eiffel.
- Sofia! – Sussurrava Filipe meio embaraçado.
- Diz… - Respondia Sofia hipnotizada pela deslumbrante vista. – Isto é lindo não é?
Um silêncio instalou-se entre aquelas duas jovens almas, de repente ela sente uma mão quente no seu pescoço, num movimento quase programático as mãos entrelaçam-se, os olhares fundiram-se e os lábios se uniram.
A neve caia ao longo daquele eterno e desejado beijo.
- És linda, e quero-te junto a mim!
- E eu a ti…
Na mesma maneira que caiam os flocos de neve caiam os grãos de arroz e um longo vestido branco passava pelas arcadas da igreja cheias de esperanças de um longo e feliz futuro.
