Vai um cafezinho?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

As ondas batiam nos grandiosos rochedos de uma praia deserta, o vento assobiava ao ritmo da força da água salgada. A areia cor de ouro bailava no ar ziguezagueando de maneira delicada, como de um baile se tratasse, acariciando as penas das resistentes gaivotas que por lá pousavam.
Olhos cor de terra faziam cair uma lágrima acabando por se perder na imensidão de partículas de água, o desespero fazia-se sentir, as pernas esguias e trémulas combatiam contra as fortes e teimosias ondas, o medo da incerteza espalhava-se por todo aquele ser.

- Beatriz! Não! – Uma voz autoritária tentava impedir aquele inconsciente e perigoso acto. 

– Sai daí filha!

- Não saio, a minha vida acabou… – Respondia uma desesperada voz acabando por ser interrompida por uma enorme e violenta onda.

O seu corpo frágil não conseguiu resistir contra a gigantesca onda fazendo com que ela ficasse agarrada nos enormes braços da corrente, agarravam-na com uma tremenda força, espremendo todo o seu oxigénio. As últimas bolhas de oxigénio espalhavam-se á sua volta, tudo o que ela via era a envolvência do azul e do castanho e pouco a pouco, dentro do seu limitado campo de visão, começava a ver uma sombra ao mesmo tempo que cada extremidade do seu corpo deixava de se sentir, o seu coração rendia-se rapidamente sendo este o ultimo som que registava aquele momento que dominava todo o seu ser.



Forte era a pressão que se impunha sobre aquele pequeno tórax, uma batida cardíaca começou por despertar todo um mecanismo, fazia-se sentir em todo o seu corpo e com ela uma lufada de oxigénio. Uma força inacreditável despertava aqueles olhos cor de terra e com ela trazia a sede, a sede de viver.
Tudo á sua volta era confuso, estava no seu quarto, na sua cama nos seus lençóis sendo uma voz rouca e familiar a trazer-lhe de volta.

- Então amor? O que se passa? Tiveste outro pesadelo foi?

- Parece que sim… - Soava uma voz ofegante. 

- Já passou minha querida. Pronto, tem calma. – Grandes braços a envolviam acalmando e tranquilizando aquele pequeno coração. – Tenta dormir de novo ainda é cedo.

Mais serena Beatriz volta a fechar os olhos mas um barulho repetitivo e irritante interrompe aquele curto momento de paz e serenidade. 

- Estou? Quem fala?

- Filha é a mãe! – Respondia uma voz trémula e padecida.

- O que se passa mãe? – As suas cordas vocais manifestavam ansiedade.

- A tua irmã matou-se! – Um choro transparecia-se pela respiração ofegante. 

Beatriz não podia acreditar naquelas palavras, as lágrimas cristalinas caiam-lhe pelo rosto delicado. Não podia ser.

- Mas como mãe? Porquê?

- Eu tentei salva-la filha juro que tentei, mas aquela maldita onda a engoliu.

FIM

Baia De Cascais

quarta-feira, 29 de junho de 2011

- A minha vida é um horror! Estou tão deprimida.
- Querida não diga isso, podíamos estar muito pior.
- Estar muito pior como, diga-me lá? Estou extenuada!
- Ai sim? Então o que andou a fazer?
- O que eu andei a fazer? José Maria… Estive à procura de trabalho, como é óbvio.
- Oh estou tão orgulhoso de si, sabe!
- Ai as minhas ricas mãos, tenho que marcar já a manicure. Estar aqui a fazer bolinhas no jornal a ver se encontrava alguma coisa, é uma canseira, sabe?! Se trabalhar é isto então não me aguento! 
- Querida esqueça isso!
- Então porquê? 
- Porque é mais fácil contratar o pituxas do que a si!


Vai um cafezinho?

domingo, 27 de março de 2011

Douro Capitulo final
Depois de vários meses de uma dura batalha judicial, finalmente uma sentença era lida em público pelo juiz, na presença dos réus, dos Srs. Jurados, das testemunhas, dos familiares, dos amigos e dos acompanhantes do intrigante caso.

- Sendo assim Co-réu Francisca Magalhães Matias e Carlos Francisco Mendes Carvalho são condenados por pena de 28 anos e 8 meses de reclusão, pela prática do crime de homicídio contra Joana Pinto Magalhães e João Manuel Campos Fonseca, triplamente qualificado, tal como previsto no art. 132º e art. 71º do Código Penal, a ser cumprida inicialmente em regime prisional FECHADO, sem direito a “sursis”. Também são condenados por pena de 3 anos pela prática do homicídio de forma tentada contra Alexandre Pinto Magalhães previsto no Artigo 132º e art. 23º do Código Penal. Mais a agravante ao qual também acusados são igualmente condenados por pena de 8 meses prisão, pela prática do crime de burla processual qualificada, tal como previsto no art. 217º, a ser cumprida inicialmente em regime prisional FECHADO, sem direito a “sursis” e multa, em seu valor unitário máximo.

Todos que ali que se encontravam aplaudiram a decisão. Aquela batalha terminava ali naquele tribunal, a justiça estava feita. Uma longa investigação estava agora a decorrer a redor do escândalo do tráfico de crianças mas poucas eram as esperanças que tudo pudesse terminar em justiça, o dinheiro muitas das vezes compra o silêncio de muitos… Mas algo faltava naquele momento para tudo ser perfeito, faltava Alexandre.

 
As vozes distorcidas e as várias misturas de sombras despertavam os sentidos de Alexandre. Encontrava-se numa cama minúscula rodeado de máquinas num quarto branco e ruidoso.

- Senhora enfermeira, ele acordou! – Gritava uma voz ansiosa.

Á medida que gritava aquela agoniante voz. Uma mão acariciava os seus cabelos sedosos enquanto uma outra voz harmoniosa dizia-lhe ao ouvido.
 
- Vai tudo correr bem!
 
Os seus olhos por completo se abriram, estes viram Raul e o Senhor Barros completamente ansiosos, mas algo faltava ali naquele estranho quarto. Depois de uma breve procura daquela harmoniosa voz encontrou Patrícia radiante, com um pequeno e adorável ser nos seus braços. O que significava aquilo? A sua mente ainda meia atordoada perguntava a si própria, tudo isto reflectia no seu olhar mas, rapidamente Patrícia o acalmou dizendo.

- Acorda meu amor o pesadelo acabou! Agora vamos ser felizes os três, eu, tu e o teu filho.
 
FIM

Vai um cafezinho?

terça-feira, 22 de março de 2011


Douro Capitulo 9
Os sinos faziam se ouvir, onze badaladas, a lua iluminava-o enquanto caminhava em direcção à porta. A fúria envolvia-o, agarrado a inseguranças e preso a certezas. Tocou centenas de vezes a campainha, não ouvia ninguém.

- Quem é? – Respondia uma voz trémula.

- Alexandre Magalhães!

A porta de carvalho abria-se e por detrás dela encontrava-se a sua prima com uma combinação de dormir antiga.

- Primo que surpresa! – Dizia ela desprevenida, não era suposto ele a ver ali - Olha se queres falar com o Sr. Presidente é melhor vires em outra altura ele está a dormir.

Sem espanto de a ver Alex empurra-a demovido pela raiva, sobe o enorme lance de escadas com uma grande agilidade. Pelo que a memória lhe dizia a porta do seu quarto era a última do corredor direito, aquela casa era enorme e tão confusa! Nunca um corredor parecia tão comprido, o seu ressonar começava a ouvir antes de chegar á porta. Com um pontapé abriu a porta e com isto o Presidente acordou sobressaltado.

- O que é isto?! – Saia da cama a tentar chegar-se a gaveta da sua mesinha cabeceira.

- O que é isto? Isso pergunto eu?! – Aproxima-se intimidatoriamente.

- Primoooo, tem calma! O que se passa contigo.

- Vocês são mesmo uns porcos, como conseguem dormir? Porque é que mataram os meus pais, seus nojentos. – Mantinha uma postura agressiva e rígida.

- O que estás para aí a dizer? Miudinho tem calminha, sim! Vai para casa, o vinho fez-te mal!

- Miudinho o que pensas que és para me chamares miudinho?

- Primo vai para casa!

- Cala-te cabra! Eu tenho as provas como vocês tão envolvidos nisto!
Um olhar cúmplice fez-se entre aqueles dois sujeitos e as suas posturas mudaram!

- Não achas que foste longe de mais Alex?! – Um tom agressivo fez-se ouvir da boca de Francisca.

- Não, eu devia matar os dois… Mas prefiro vê-los apodrecer na prisão!
Ao virar as costas ouve um gatilho, o seu corpo congelou, aquele som era intimidador. A sua pele arrepiou.

- Volta-te seu imbecil! – Ordenava o Presidente.

Quando se voltou para a frente deparou-se com a mesma arma que tinha tentado mata-lo precedentemente. Um riso nervoso fez-se ouvir.

- Alex, Alex quem te manda ser tão impulsivo! Sabes que a curiosidade matou o gato?! Tal como a tua mamã!?

Ditas aquelas provocativas palavras, uma crescente revolta fez Alexandre ganhar coragem, lançou-se em direcção ao presidente com intenção de se salvar! Naquela luta desesperante tentou retirar-lhe a arma, lutava pela sua sobrevivência. Os gritos histéricos de Francisca fazia-se ouvir como barulho de fundo, ao fim de cinco minutos todo aquele esforço pouco lhe valeu, no meio daquela agitação toda uma bala perdida perfurou o corpo de Alexandre que depressa perdeu os sentidos.

- Matamos o miúdo e agora? – Francisca punha as mãos em cima da cabeça desesperada.

- Agora! Agora temos menos um problema, vamos deita-lo ao rio, aí ninguém vai encontra-lo.

Depressa enrolaram-no num lençol de cetim roxo, arrastaram-no ao longo daquele chão de madeira envernizada. Nas escadas forradas com uma carpete vermelha pegaram nele para não deixar rastos de sangue naquele enfadonho material era enormes e penosos degraus. Os quadros familiares que nas paredes estavam pareciam chorar envergonhados com aquele cenário triste. Aquela casa fria composta por pedra de xisto era deixada para trás numa carrinha. O silêncio permanecia no carro, o suposto cadáver encontrava-se por entre os bancos. Com as luzes no mínimo, para não dar nas vistas, encaminhava-se para o rio. As curvas pareciam mais apertadas, o vento parecia chorar, as estrelas e a lua iluminavam timidamente a estrada. Depois de uma demorada viagem chegaram ao destino, um terreno abandonado junto ao brilhante rio. Decidiram por fim retirar o corpo e a arma do crime.
Uma luz forte encadeou aquela acção incriminatória e uma voz rouca se vês ouvir:

- Alto! Estão detidos… - Dizia o agente da Policia Judiciaria.

Continua...

Vai um cafezinho?

quinta-feira, 17 de março de 2011

Douro Capitulo 8
Os últimos raios de sol batiam nas grandes muralhas que demoraram 30 anos para se erguer, o vento cantava á medida que passava pelas 15 torres, todas aquelas pedras tinham visto muito sofrimento e também muitas gerações a passar por elas. Eram 19h, lá estava ele á frente da Porta do sol com os seus óculos de sol, de camisa preta, estilo militar, com os braços morenos cruzados á espera do antigo inspector.

- Boa tarde, desculpe o atraso. – Cumprimentava o detective com uma mão forte.

- Não há problema, então como está?

Depois de todas aquela cortesia, dirigiram-se para o café mais próximo. O Senhor Barros tirou da sua pasta negra um enorme envelope, cheio de fotografias e relatórios. Depois de lhe mostrar toda aquela imensidão de informação. Tudo ficou muito confuso.

- Espere ai Sr. Barros não estou a perceber, o que é que o meu pai tem a ver com isto? Ele já morreu.

- E depois de ele morrer ele tinha uma herança, certo? Aqui está o documento – dá-lhe o papel para a mão.

- Hum estou a ver mas o que tem a herança de mal? Herdei a casa onde vivo e uma conta recheada.

- E pelo que vi, você quer fazer obras para fazer negócio?

- Sim, sim! Sinto-me sozinho naquela casa rodeado de recordações e onde parte delas não são boas? E aquela casa é boa para o tipo de negócio que eu idealizei. Mas agora com esta confusão vai ser difícil.

- Você lembra-se do dia em que morreu o seu pai?

- Mais ou menos, sim, era miúdo ainda, mas o que é que isso tem a ver com a minha situação.

- Lamento dizer-lhe isto mas tudo está ligado.

- O quê? Como é que isso é possível?

- Pode-me dizer o que viu no dia da morte do seu pai? O seu pai esteve em África pouco antes da sua morte não é verdade?

- Sim é verdade. O meu pai e eu éramos muito ligados. Ele nos últimos dois anos que teve em vida ia muitas vezes a África, ele dizia que fazia parte do seu trabalho, mas nunca percebia!

- A sua mãe morreu quando?

-Pouco antes do meu pai. Foi muito duro para mim! Morreu devido a um acidente de trabalho. Mas não me lembro. Desde aí todos os fins-de-semana o meu pai levava-me a passear junto ao ribeiro para me compensar a sua ausência. Num desses passeios o meu pai viu um senhor e ficou apático, mandou-me ir comprar um gelado e eu fui mas quando regressei até ele… - Engoliu em seco, era uma recordação dura, era como o sufocasse.

- O que tinha o seu pai? – Apressou-se o detective.

- Estava morto! – Uma lágrima caia-lhe no rosto.

- Sabia que o seu pai estava a ser ameaçado constantemente?

- Eu? Não senhor Barros. Era criança não tinha a noção de nada disso.

- A sua mãe não teve um acidente de trabalho!

- Como assim? O que está a insinuar com isso?

-Infelizmente, eu não estou a insinuar. A sua mãe foi assassinada, foi uma espécie de ameaça.

- Não estou a acreditar nisto?! Você tem a certeza disto?

- Tenho e tal como a sua mãe, o seu pai também foi assassinado. Já falei com antigos colegas meus para abrirem este caso em tribunal. Isto é grave. O seu pai estava metido com gente da alta em negócios ilícitos.

- Como é que isso é possível? Estava metido em que afinal?

- Tráfico de crianças. Ele era um intermediário, transportava-as e vendi-as para casais de grandes posses. Tudo corria bem até o seu pai se cansar e decidir parar com o contrabando. – Bebeu um copo de rajada e continuo com a horripilante informação - O que se passou na sua cave foi para o demover com as obras. Em sua casa estão escondidas as provas do tráfico e lá, estão os nomes de todos os envolvidos. Era essa a prova que eles queriam tirar do seu pai e por isso ameaçavam-no.

- Não acredito nisto, como é que ele foi capaz de me fazer isto? E porque mataram o João Fonseca?

- Ah isso é simples de explicar ele estava metido nisto e quando se preparava para te contar parece que alguém agiu primeiro. Ele deixou tudo isto escrito no computador do seu filho, no caso de lhe acontecer alguma coisa.

- Estou chocado com tudo isto é muita informação num dia só?! Quem foram os filhos da puta que mataram a minha mãe? – A raiva sentia-se em cada palavra que dizia.

- Tem calma isto é um caso muito delicado.

- Quem? Quem mandou mata-la? De certeza que os finórios não iam sujar as suas manápulas de sangue!

- Não irias gostar de saber! – Dizia isto a olhar para o seu bloco de notas, para tentar não enfrentar aquele olhar de revolta.

Alexandre tira-lhe o bloco da mão e puxou-lhe o colarinho.

- Diz-me fodasse quem é! Olha para mim!!

- A tua prima Francisca a mando do seu amante o Presidente da Câmara.

Aqueles dois nomes fizeram-no levantar da mesa de pedra, começou a correr até o carro, queria justiça. A raiva cegava-o… O carro seguia em altas velocidades, dirigia-se para a casa do Sr. Presidente. Como é que isto era possível? A sua prima, que tinha sido sempre tão sua amiga. Agora fazia sentido, aquela voz feminina e aquele cheiro, ela queria-o debaixo de olho.

Continua...

Vai um cafezinho?

terça-feira, 15 de março de 2011

Douro Capitulo 7 
Era Maio, a paisagem estava diferente, os cheiros eram mais fortes, o vento fresco que por ali passava acarinhava de forma delicada as plantas que agora mostravam o seu esplendor. As cores misturavam-se entre o verde, o roxo, o branco e o amarelo, tudo aquilo era deslumbrante. O rio sorria com um brilho incandescente, as suas águas corriam de forma abundante, orgulhando-se de trazer vida e tamanha beleza. As borboletas voavam no céu azul, as aves migratórias faziam se ouvir, era a euforia da primavera! Todos que por ali passavam paravam para contemplar todo aquele cenário.

O hotel rural estava agora cheio de residentes, maioritariamente de estrangeiros vindos da Inglaterra. Tudo estava muito animado, cheio de movimento e de trabalho, era como se fosse a época alta. Os casais apaixonados que por rústicos corredores passavam mostravam como felizes estavam, o espírito primaveril espalhava-se ao longo daquela casa brasonada. As crianças aventureiras já experimentavam a piscina sempre num rebuliço de sensações e emoções enquanto os pais experimentavam o bom vinho português na adega que continha enormes pipas de 3 metros de altura, denominados na região como tonéis, que surpreendiam os visitantes pela sua enorme estrutura e capacidade de conservação de um excelente vinho.

- Chefinho como correu a reunião com os fornecedores?

- Correu bem Maria, correu bem! – Sorria todo convencido.

- Olhe que tenho umas cartinhas para si e uma delas é da Senhora Patrícia. – Maria fazia um riso malicioso e provocativo.

- Dê-me cá Sra. Maria Bastos. – Esticava os braços com entusiasmo como se fosse uma criancinha a receber uma prenda de natal.

- Não sei se dou chefinho. – Ria-se. – Ah é verdade tem aqui outra carta mas sem remetente. – Disse já com um ar sério entregando-lhe as cartas.

- Hum curioso, bem vou vê-las no escritório, qualquer coisa liga-me.

Em seu escritório rasgava o envelope com alguma curiosidade, ao abrir a folha A4 deparou-se com uma só linha escrita a computador.

“Não me esqueci de si. Preparasse!”

Ao ler isto sentiu um aperto no peito, já tinha passado sete meses desde aquele pesadelo. Teria isto um fim? Ligou ao detective Barros, senhor de 56 anos antigo inspector da PJ conhecido pela sua competência sendo este o motivo para o contratar á 3 meses, tinha que pô-lo ao corrente da novidade.

- Senhor Barros é o Alexandre Magalhães tenho uma novidade para si!

- Bom tarde Alexandre, e eu tenho imensas informações que por ventura são bastante interessantes. O que lhe parece encontrarmo-nos na porta do Sol do Castelo de Bragança às 19 horas?

- Parece-me bem, então lá estarei.

Continua...

Vai um cafezinho?

domingo, 13 de março de 2011

Douro Capitulo 6 
- Sendo assim de acordo com as regras constitucionais e leis criadas pelo poder legislativo de Portugal o arguido Alexandre Pinto Magalhães é considerado inocente! Declaro encerrada a audiência. – Erguia-se o juiz com ar arrogante.

Aquelas palavras deram a Alexandre o maior alívio. O seu nome estava limpo, ele estava realmente inocente, mas mesmo assim algo não lhe saia da cabeça, quem é que tentou mata-lo e porque é que tentou?

Ao sair da sala de audiências Raul convidou-o para um almoço, mas Alex recusou preferindo ir para casa descansar.

«Nada bate certo porque seria tudo isto? Quem matou o João Fonseca? Mas porquê em minha casa?» Á medida que bebia o seu uísque tudo isto girava na sua cabeça, estava dar com ele em doido, tinha que tirar tudo isto a limpo, mas como? Mais uma vez algo paralisa os seus pensamentos mas desta vez foi uma campainha inesperada e estridente, ao abrir a porta um grande decote destacou-se de um elegante fato preto, era Patrícia com uma garrafa na mão.

- Então vamos beber um copo? – Entra sem pedir autorização de maneira provocatória.

- Eu pensava que a senhora só bebia chazinho? – Fecha a porta com um sorriso brejeiro. – O que estás a fazer? – Perguntava impressionado ao vê-la a despir o seu top ficando apenas de calças.

- A adiantar trabalho, tenho saudades tuas!!

Aquelas palavras mágicas fizeram-no despertar, aquele corpo era apetecível quase impossível negá-lo. Os seus braços rodearam a cintura dela enquanto havia uma troca de saliva de línguas entusiasmadas, os seus corpos roçavam-se cada vez mais. As suas mãos exploravam a cada curva, parecia que tinham sido feitas á medida dele. Ela tirava fogosamente os botões da camisa de Alex acabando mesmo por arranca-los isto com a ânsia de puder sentir aquele peito definido de uma pele macia. Os olhares cruzavam-se cheios de desejo e inquietação. Num gesto menos delicado encostou-a contra a mesa do hall de entrada, tirou-lhe as meias de ligas com uma mão apalpou-lhe as longas pernas enquanto com a outra brincava com o erecto e rosado mamilo, virou-a de maneira bruta, a sua respiração ofegante ouvia-se, afastou-lhe as pernas com um pé, sentindo-lhe o cheiro, subiu-lhe a saia e ali mesmo começou a saciar o seu desejo com vigor e ritmo, a mesa arrastava á medida de cada investida que era cada vez mais profunda, os gemidos faziam-se ouvir, estava tudo muito quente e húmido, estava muito perto. Aqueles corpos estavam incendiados de prazer, estavam viciados. As costas de Patrícia arqueavam-se cada vez mais, as mãos de Alex não paravam, uma agarrava-a com força enquanto a outra passeava entre o sítio mais secreto e os seios voluptuosos. Aquele momento era cada vez mais intenso mais agressivo, mais delicioso. Era agora… A campainha de novo fez-se soar, aqueles corpos congelaram no meio daquele incêndio de paixão, mas quem seria? Rápido vestiram-se, para poder abrir aquela maldita porta.

- Quem é?

- Sou eu o Raul!

Continua...

Vai um cafezinho?

sexta-feira, 11 de março de 2011

DOURO Capitulo 5
- Tentaram-me matar!! – Entrava Alexandre desnorteado em casa do seu amigo e advogado Raul.

- O quê? Só podes estar a delirar!! Tens a certeza?

- Eu a delirar?? Esteve um Jipe a perseguir-me a tentar mandar-me para os anjinhos e eu estou a delirar!? Se não acreditas vai ver o meu carro que tem o vidro da frente todo partido e com a porta toda para dentro! – Punha as mãos na cabeça com os olhos bem abertos, ainda atónito.

- Vamos já reportar isso às autoridades.


No meio daquela burocracia toda, Alexandre esquecia do motivo pelo qual tinha saído de casa, só pensava no anterior sucedido que teria vivenciado. Depois da Policia Judiciária de Bragança chegar ao local e analisar o seu carro, o medo começava a apoderar-se dele, isto estava a ir longe de mais. Tudo parecia estar interligado.

- Depois de todas as investigações feitas temos que ir ao tribunal ver se tens direito ou não ao programa de protecção á vítima. – Dizia Raul com uma voz serena para tentar acalmar Alexandre.

- Já podemos ir embora? Estou cansado…

- Podemos sim. Hoje ficas em minha casa!

- Raul?

- Sim?!

- A Patrícia está em Macau. Ela é a chave da minha liberdade.

 
Macau era como um grande jardim no meio de enormes e modernos edifícios, onde templos, igrejas, sés e histórica arquitectura perdiam-se no meio daquele labirinto de betão. Naquela península todas as ruas tinham a sua história, cheia de grandes emoções, de grandes conquistas e de grandes despedidas. Nos jardins verdes e graciosos decorados segundo cultura oriental enchiam-se de gente, ali era um ponto de encontro entre várias culturas e religiões. Os carros ruidosos e multidões ubíquas eram como se fosse a banda sonora daquela antiga colónia portuguesa.

Na longa escadaria Raul perdeu-se de encanto por aquela imponente e magnífica fachada, de estilo barroco ricamente decorada com imagens bíblicas, das Ruínas de São Paulo. Nem mesmo aquele calor abafador o demovia na reverência daquele monumento, agora percebia o porquê de ser considerado uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.  

- Bom dia! – Uma voz feminina interrompia a sua admiração pelo desconhecido.

- Bom dia. Deve ser a menina…

- Patrícia, só! – Terminou com a cortesia do advogado. – Finalmente o encontrei, estava complicado! – Sorriu!

- Então o que levou a Patrícia vir para Macau tão repentinamente?

- Bem estou a ver que é uma pessoa objectiva e despachada! Vim para aqui, porque o meu irmão vive cá e ele está num hospital em estado crítico. – Levantou o olhar em direcção á santa que estava esculpida na fachada como forma de prece.

- Lamento! – Raul engoliu em seco, não esperava aquilo como resposta pois ele sempre pensou que ela estava envolvida, tudo apontava a isso (o envolvimento espontâneo daquela noite e o seu desaparecimento súbito).

- Bem venha comigo, vamos para o Hotel Lisboa é onde estou hospedada.

Depois de uma caminhada meteram-se num táxi, após de imensas ruas com imensas cores e cheiros, seguiram pela estrada movimentada da Av. do Infante Dom Henrique em que circulavam minúsculos autocarros, motas e grandes carros, até chegarem ao hotel.

- Entre esteja á sua vontade. Como lhe disse no táxi, não posso ir para Portugal com o meu irmão assim. Acho muito estranho o acidente que teve, tenho medo que ele se tenha metido com as ceitas daqui, elas são imensamente perigosas. Ele é polícia, sabe como é!

- Pois entendo, é uma profissão de risco.

- Mas conte-me como está o Alexandre? – A sua pele ganhou cor.

- Está bem dentro do possível, você é a única esperança dele. Sabe… - O telefone acaba por suspender a conversa. – Atenda menina Patrícia.

- Sim sim, só um momento, por favor.

Depois de uma breve conversa ao pousar os auscultadores os olhos de Patrícia começavam a deixar cair as primeiras de muitas lágrimas, a sua jornada por Macau terminara ali.

Continua...