DOURO Capitulo 3
O vento batia-lhe na face misturado com frustração de não saber onde estaria ela.
«Mas que ideia estúpida que eu tive, Bragança é enorme» Falava ele para os botões da sua camisa branca, enquanto caminhava sobre a calçada da avenida principal daquela cidade.
Decidiu ir para o parque abstrair-se daquelas lembranças que lhe enchiam a cabeça. O som do ribeiro de águas límpidas fazia-o sorrir, fazia-o lembrar-se da sua infância, o seu falecido pai levava-o até lá todos os fins-de-semana. Tinha sido ali que…
«Patrícia?» As suas doces recordações foram interrompidas logo que a vira, num gesto automático começou a correr na sua direcção á procura de uma resposta. Enquanto corria o seu telemóvel começou a tocar.
- Estou? Quem fala? – Abrandava o ritmo sem tirar os olhos de Patrícia.
- Chefinho temos um problema aqui no hotel, peço imensa desculpa mas eles querem falar consigo?
- Eles quem Maria? O que se passa? – Ele notava um nervosismo na voz de Maria.
- É a GNR, não posso dar mais informação!
Desligou a chamada, ainda com os olhos presos nela, mas breve se iriam desprender, um homem aproximava-se dela com um ar cúmplice, seria o tão famoso noivo?
Não havia tempo para tirar tais dúvidas na sua cabeça, Maria estava sozinha no hotel e tinha que a ajudar.
- O que se passa aqui senhor guarda?
- O que se passa aqui perguntamos nós senhor Alexandre Pinto Magalhães! O senhor está detido, por venda ilícita de bebidas brancas e por homicídio de João Manuel Campos Fonseca!
O sangue parecia não circular mais nas veias, todos os seus músculos contraíram com tal informação.
- Desculpe senhor guarda mas eu não vendo bebidas brancas e muito menos iria matar alguém que nem sequer conheço? – Tentou concentrar-se.
- Então como me explica o corpo mutilado e a aguardente que está na cave da sua casa?! – Questionou o agente de autoridade com arrogância.
- Isso é um absurdo!
- Mas estava lá que bem vimos.
O som de uma algema soou, um papel se abriu e mais nada se ouviu para além da palavra injustiça.
Um e quarenta por um e quarenta era como chamavam a minúscula e imunda cela, os nervos de Alexandre reflectiam-se pela perna irrequieta. As mãos grandes envolviam a sua cabeça, ainda não acreditava como ali foi parar! «Mas que raio, como é que é possível estar preso por causa de uma inexistente aguardente.» Murmurava ele. Os passos marcados do guarda-republicano denunciavam-lhe.
- Alexandre Pinto Magalhães, o seu advogado chegou!
- Oh graças a Deus! – Demonstrou um certo alívio.
O guarda abriu a cela e deixou entrar um senhor de seu ar intocável, de maleta na mão.
- O que andas-te a fazer rapazinho? – Riu-se.
- Não tem piada Raul, eu não fiz nada! Mostraram-me uma carta de detenção e levaram-me do hotel sem me darem grandes explicações.
O riso de Raul abrandou até ficar com uma expressão muito séria, aquilo não era bom sinal.
- Eu já fui mexer os meus cordelinhos e as coisas não estão nada abonatórias a teu favor, não sei mas tudo o que se passou está dentro da legalidade. Realmente encontraram grandes quantidades de aguardente e vinho do porto na tua cave e já apreenderam. Mas o pior foi o corpo lá encontrado já sem vida. Uma chamada anónima, foi o que bastou! – Passou a mão pelo queixo de forma a demonstrar que algo não batia certo.
- Uma chamada anónima? Isto é uma cilada só pode! Nem sequer conhecia esse individuo e nem vinho tratado tinha na cave da minha casa, levo sempre do hotel. Mas quem? Mas quem?
- Quem quer que seja está-me a complicar a vida e tem muitos conhecimentos! Temos que ir a tribunal, mas isto está a ir depressa de mais. Temos provas irrefutáveis contra ti, Alex. – Baixou o olhar.
- Raul olha para mim porra, eu sou inocente, tu sabes perfeitamente que não faria nada disso! Estão-me a tramar, não vês isso?
- Mas quem?
- Mas quem pergunto eu? E quando é que é a apresentação ao juiz?
- Daqui a dois dias, tem calma que isto é o tempo para encontrar argumentos e factos contra essas ditas provas, que nem sabemos se são fidedignas!
A noite passava muito devagar, a cama não era confortável, dura e fria, cheio de interrogações, ainda não estava em si, o barulho que os vagabundos faziam na sala ao lado não o deixava fechar os olhos, estava cansado de emoções.
O silêncio finalmente permaneceu naquele maldito sítio, mas depressa quebrou, parecia um trautear, a sua atenção depressa virou-se para aquele misterioso ruído.
- Sabe bem brincar com as pessoas, não sabe?! – Uma voz indescritível soou detrás de uma sombra negra.
- Quem és tu desgraçado? – Alexandre despertou de um espasmo emocional.
Silêncio, foi tudo o que aquela sombra ofereceu. De novo o ruído se ouviu e a calma tão certo não retomou.
Continua...

7 Comentários:
Então? O resto?
Mostra o resto! =D
Continua!!!
MUHAHAHAHAAA e a história tornasse interessante, ainda espero por maisss.....
continua lá isso que eu quero saber o final XD EHEHEHEHH Adorroooooo.
bjinhooossssssssssssssssssssssssssssssssssssss
Gostei mais uma vez
Wow! Mais um excelente capítulo ;)
Mal posso esperar pelo 4º!
WOW! Isto ta brutal, Ana!
Parabéns..
Mas o que se está a passar?!?
Quem matou o bacano?
De certeza que o Alex nao foi..
As minhas suspeitas recaem no mordomo..
É SEMPRE o mordomo, LOL
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