DOURO Capitulo 4
No tribunal de Bragança o silêncio reinava naquela antiga e remodelada sala, a madeira que por ela se espalhava tinha muito que contar. Quantas histórias por ali teriam se ouvido, quantas injustiças teriam sido cometidas e quanta sede de justiça ali teria sido saciada.
Será que desta vez seria ouvida a palavra justiça!? As horas passaram e as coisas pareciam mais sérias do que se pensava, o crime teria sido naquela noite em que Alexandre se perdia naquele voluptuoso corpo daquela mulher misteriosa. Tudo apontava que teria sido uma cilada, as provas iam aparecendo, a insegurança espairecia naquela sala, mas o seu amigo que era um advogado nacionalmente reconhecido pelo seu excelente trabalho, parecia estar a manusear bem aquelas provas incriminatórias e pôr em dúvida tudo aquilo que apontava em direcção a Alexandre. Apresentações periódicas até ao veredicto final, esta foi a decisão quase instantânea do juiz.
- Como te disse as provas são forjadas. Agora temos muito tempo para encontrar o teu álibi, e para provar que não foste tu.
- Se não fosses tu o que seria de mim?
Nunca mais chegava ao hotel, sentia-se observado, vulnerável no meio daquela gente que até agora parecia conhece-la tão bem. Os olhares daquela aldeia cruzavam-se quando ele passava, eram olhares penetrantes capazes de o julgar e pô-lo apodrecer na prisão. Nem um único olhar parecia acreditar na sua inocência. Seria ele mesmo inocente?
- Olá chefinho…
- Olá há alguma carta para mim?
- Há sim, é do estrangeiro e tudo!
- A sério de quem?
- De uma tal de Patrícia Fernandes Caego.
Aquele nome não lhe era nada estranho, seria dela? Por breves instantes acendeu a chama da esperança. Pegou na carta e foi a correr para o seu escritório. Estava ansioso, mal ele sabia porquê, um pequeno sorriso nos lábios esboçou-se. Nem parecia estar a viver o pesadelo em que estava metido.
“ Gostei muito de te conhecer.
Beijos Patrícia “
«Só isto? Mas isto é a gozar com a minha cara? Deixa cá ver o envelope… Macau!»
Aquele turbilhão de sentimentos e pensamentos soltos pararam ao ouvir um irritante e repetitivo som do seu telefone.
- Estou? Quem fala?
Um silêncio permaneceu no outro lado da linha.
- Estou? Estou? Quem fala?
Uma leve respiração se ouvia, mas não havia resposta de forma alguma, a chamada seria interrompida depois de um riso nervoso.
Alexandre ficou colado ao telefone estupefacto com aquela misteriosa chamada. Já não era a primeira vez que tal acontecia, isto tornava-se rotineiro e cada vez mais perturbador. Depois de aquele emaranhar de pensamentos retornou a si, pegou no casaco preto que deixara no enorme braço da intemporal poltrona e começou a correr em pleno hotel para depressa chegar ao carro. Precisava de falar com o seu advogado, tinha que lhe contar a novidade, ela estava em Macau, ela era testemunha, o seu álibi!
Depois de cinco minutos de tentativas frustradas, o motor não estava a responder, os nervos transpareciam em gestos trémulos a ansiedade começava a responder por ele. Até que decidiu tentar aclamar-se. Saiu do carro para poder espairecer melhor, reparou que o céu tinha tons alaranjados e que nele voava o último bando de andorinhas. O vento acariciava-lhe o rosto, o cheiro da terra persistia e finalmente depois de sentir a natureza tranquilizou-se.
Estava de novo de volta da chave de ignição, o ruído do motor finalmente se fazia ouvir e com um movimento quase que automático pôs aquele carro a andar. A melodia do rádio fazia-lhe companhia ao longo daquela viagem que parecia tão longa, o sol começava a esconder-se por de trás das encantadoras montanhas transmontanas, a pouca luz que se podia observar eram acompanhadas pelas luzes artificiais produzidas pelos faróis do carro. Estava tudo muito calmo, a sua música preferida suava num volume máximo, em breves segundos estava num outro mundo. A sua memória levava-o a percorrer o corpo de Patrícia, um sorriso esboçava-se, até que uma luz forte fez-lhe sair daquele sonho. Os seus olhos ficaram encadeados, não conseguia ver bem a estrada, desviou-se para a outra via para conseguir ver alguma coisa. Um jipe que atrás de si transitava começou a acelerar até ficar ao seu lado. O vidro escuro não permitia que Alexandre visse quem era o condutor maluco, rápido se apercebeu que o jipe tentava bater no seu carro. Aquilo não era normal, o seu pé direito pisou ainda com mais força o pedal do acelerador, quase ao mesmo tempo que a embraiagem e as mudanças eram recrutadas. O jipe não se deixava ficar a trás, os sons dos dois motores fazia-se ouvir, curvas perigosas faziam-se a velocidades que por lei nunca seriam permitidas, aquilo não era lei que estava em causa mas sim a sobrevivência. Aquele carro descontrolado batia-lhe de lado, tentando empurra-lo para as enormes ribanceiras. Aquele momento nunca mais acabava, era interminável! A adrenalina subia lhe nas veias, tinha que fazer algo para acabar com aquele momento, ao olhar mais uma vez para o retrovisor viu uma arma de fogo a sair daquele vidro negro. O carro não estava a responder como ele queria, mas rápido lembrou-se de um atalho em que só um carro pequeno podia passar. As suas unhas cravaram-se no volante com os dentes cerrados e uma gota de suor a cair-lhe sobre o rosto, levou o carro ao seu limite, era tudo ou nada! O jipe começava uma nova investida, o cheiro a gasóleo, abafava o cheiro da terra. A velocidade aumentava cada vez mais, a estrada cada vez mais perigosa, cada vez mais estreita, era curva contra curva! A experiência de Alex por aquelas terras começava a ser uma vantagem, o som da pedra a rasgar o metal começava se a escutar, era o seu carro a raspar nas grandes fragas da encosta empurrado pelo jipe desvairado. Ao olhar para o lado viu uma luva negra a tentar pressionar o gatilho de uma Glock, nesse preciso momento Alex chegava ao atalho. Mais uma vez o jogo de mudanças, de embraiagens e de aceleradores começava. Um caminho estreito de terra batida era limitado pelas pequenas casinhas de xisto. Aquele carro vermelho ficava para trás, enquanto ele acelerava o mais possível fez-se suar um estrondo, ao mesmo tempo que uma bala de 9 mm perfurava o seu vidro. Aquilo nunca mais acabava, o final daquele estreito caminho chegava ao fim e com ele o sossego.
Continua...

6 Comentários:
Grande aventura!
Ansiosa pelo 5ºcapítulo!
Continua Ana ;)
Continua!!
Quero mais! Continua assim... :D
continua continua continua XD vai melher vai melher !!!!!!! XD bjinhooosssssssss gands
tá muita louco =)
continua com o bom trabalho aninhas ;)
venha o próximo capítulo ! aposto que ainda não o escreveste :PPpp
ALTAMENTE!!
Não me canso de dizer isto.. Adorei e adorei <3
Isto é um misto de CSI, Bones, Veronica Mars.. LOL!
Muito bom, mesmo!
O mordomo é lixado!
Ps: Adoro o Alexandre <3
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