Vai um cafezinho?

quinta-feira, 17 de março de 2011

Douro Capitulo 8
Os últimos raios de sol batiam nas grandes muralhas que demoraram 30 anos para se erguer, o vento cantava á medida que passava pelas 15 torres, todas aquelas pedras tinham visto muito sofrimento e também muitas gerações a passar por elas. Eram 19h, lá estava ele á frente da Porta do sol com os seus óculos de sol, de camisa preta, estilo militar, com os braços morenos cruzados á espera do antigo inspector.

- Boa tarde, desculpe o atraso. – Cumprimentava o detective com uma mão forte.

- Não há problema, então como está?

Depois de todas aquela cortesia, dirigiram-se para o café mais próximo. O Senhor Barros tirou da sua pasta negra um enorme envelope, cheio de fotografias e relatórios. Depois de lhe mostrar toda aquela imensidão de informação. Tudo ficou muito confuso.

- Espere ai Sr. Barros não estou a perceber, o que é que o meu pai tem a ver com isto? Ele já morreu.

- E depois de ele morrer ele tinha uma herança, certo? Aqui está o documento – dá-lhe o papel para a mão.

- Hum estou a ver mas o que tem a herança de mal? Herdei a casa onde vivo e uma conta recheada.

- E pelo que vi, você quer fazer obras para fazer negócio?

- Sim, sim! Sinto-me sozinho naquela casa rodeado de recordações e onde parte delas não são boas? E aquela casa é boa para o tipo de negócio que eu idealizei. Mas agora com esta confusão vai ser difícil.

- Você lembra-se do dia em que morreu o seu pai?

- Mais ou menos, sim, era miúdo ainda, mas o que é que isso tem a ver com a minha situação.

- Lamento dizer-lhe isto mas tudo está ligado.

- O quê? Como é que isso é possível?

- Pode-me dizer o que viu no dia da morte do seu pai? O seu pai esteve em África pouco antes da sua morte não é verdade?

- Sim é verdade. O meu pai e eu éramos muito ligados. Ele nos últimos dois anos que teve em vida ia muitas vezes a África, ele dizia que fazia parte do seu trabalho, mas nunca percebia!

- A sua mãe morreu quando?

-Pouco antes do meu pai. Foi muito duro para mim! Morreu devido a um acidente de trabalho. Mas não me lembro. Desde aí todos os fins-de-semana o meu pai levava-me a passear junto ao ribeiro para me compensar a sua ausência. Num desses passeios o meu pai viu um senhor e ficou apático, mandou-me ir comprar um gelado e eu fui mas quando regressei até ele… - Engoliu em seco, era uma recordação dura, era como o sufocasse.

- O que tinha o seu pai? – Apressou-se o detective.

- Estava morto! – Uma lágrima caia-lhe no rosto.

- Sabia que o seu pai estava a ser ameaçado constantemente?

- Eu? Não senhor Barros. Era criança não tinha a noção de nada disso.

- A sua mãe não teve um acidente de trabalho!

- Como assim? O que está a insinuar com isso?

-Infelizmente, eu não estou a insinuar. A sua mãe foi assassinada, foi uma espécie de ameaça.

- Não estou a acreditar nisto?! Você tem a certeza disto?

- Tenho e tal como a sua mãe, o seu pai também foi assassinado. Já falei com antigos colegas meus para abrirem este caso em tribunal. Isto é grave. O seu pai estava metido com gente da alta em negócios ilícitos.

- Como é que isso é possível? Estava metido em que afinal?

- Tráfico de crianças. Ele era um intermediário, transportava-as e vendi-as para casais de grandes posses. Tudo corria bem até o seu pai se cansar e decidir parar com o contrabando. – Bebeu um copo de rajada e continuo com a horripilante informação - O que se passou na sua cave foi para o demover com as obras. Em sua casa estão escondidas as provas do tráfico e lá, estão os nomes de todos os envolvidos. Era essa a prova que eles queriam tirar do seu pai e por isso ameaçavam-no.

- Não acredito nisto, como é que ele foi capaz de me fazer isto? E porque mataram o João Fonseca?

- Ah isso é simples de explicar ele estava metido nisto e quando se preparava para te contar parece que alguém agiu primeiro. Ele deixou tudo isto escrito no computador do seu filho, no caso de lhe acontecer alguma coisa.

- Estou chocado com tudo isto é muita informação num dia só?! Quem foram os filhos da puta que mataram a minha mãe? – A raiva sentia-se em cada palavra que dizia.

- Tem calma isto é um caso muito delicado.

- Quem? Quem mandou mata-la? De certeza que os finórios não iam sujar as suas manápulas de sangue!

- Não irias gostar de saber! – Dizia isto a olhar para o seu bloco de notas, para tentar não enfrentar aquele olhar de revolta.

Alexandre tira-lhe o bloco da mão e puxou-lhe o colarinho.

- Diz-me fodasse quem é! Olha para mim!!

- A tua prima Francisca a mando do seu amante o Presidente da Câmara.

Aqueles dois nomes fizeram-no levantar da mesa de pedra, começou a correr até o carro, queria justiça. A raiva cegava-o… O carro seguia em altas velocidades, dirigia-se para a casa do Sr. Presidente. Como é que isto era possível? A sua prima, que tinha sido sempre tão sua amiga. Agora fazia sentido, aquela voz feminina e aquele cheiro, ela queria-o debaixo de olho.

Continua...

3 Comentários:

Catia Sousa disse...

:O GOD! Que noticias bombásticas..
Só faltou mesmo saber que o pai dele não era o pai, mas sim o avô .. (ando a ver demasiada novela da tvi)

Mas a sério.. Muito bom (: Gostei Ana.. Mais uma vez, Parabéns xD

Starstruck disse...

Wow! A história está a ficar cada vez melhor ;)
Ansiosa pelo próximo capítulo!

Anónimo disse...

Estou a adorar esta história. Excelente!!! Para quando o próximo capitulo???? Parabéns!

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