Vai um cafezinho?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

As ondas batiam nos grandiosos rochedos de uma praia deserta, o vento assobiava ao ritmo da força da água salgada. A areia cor de ouro bailava no ar ziguezagueando de maneira delicada, como de um baile se tratasse, acariciando as penas das resistentes gaivotas que por lá pousavam.
Olhos cor de terra faziam cair uma lágrima acabando por se perder na imensidão de partículas de água, o desespero fazia-se sentir, as pernas esguias e trémulas combatiam contra as fortes e teimosias ondas, o medo da incerteza espalhava-se por todo aquele ser.

- Beatriz! Não! – Uma voz autoritária tentava impedir aquele inconsciente e perigoso acto. 

– Sai daí filha!

- Não saio, a minha vida acabou… – Respondia uma desesperada voz acabando por ser interrompida por uma enorme e violenta onda.

O seu corpo frágil não conseguiu resistir contra a gigantesca onda fazendo com que ela ficasse agarrada nos enormes braços da corrente, agarravam-na com uma tremenda força, espremendo todo o seu oxigénio. As últimas bolhas de oxigénio espalhavam-se á sua volta, tudo o que ela via era a envolvência do azul e do castanho e pouco a pouco, dentro do seu limitado campo de visão, começava a ver uma sombra ao mesmo tempo que cada extremidade do seu corpo deixava de se sentir, o seu coração rendia-se rapidamente sendo este o ultimo som que registava aquele momento que dominava todo o seu ser.



Forte era a pressão que se impunha sobre aquele pequeno tórax, uma batida cardíaca começou por despertar todo um mecanismo, fazia-se sentir em todo o seu corpo e com ela uma lufada de oxigénio. Uma força inacreditável despertava aqueles olhos cor de terra e com ela trazia a sede, a sede de viver.
Tudo á sua volta era confuso, estava no seu quarto, na sua cama nos seus lençóis sendo uma voz rouca e familiar a trazer-lhe de volta.

- Então amor? O que se passa? Tiveste outro pesadelo foi?

- Parece que sim… - Soava uma voz ofegante. 

- Já passou minha querida. Pronto, tem calma. – Grandes braços a envolviam acalmando e tranquilizando aquele pequeno coração. – Tenta dormir de novo ainda é cedo.

Mais serena Beatriz volta a fechar os olhos mas um barulho repetitivo e irritante interrompe aquele curto momento de paz e serenidade. 

- Estou? Quem fala?

- Filha é a mãe! – Respondia uma voz trémula e padecida.

- O que se passa mãe? – As suas cordas vocais manifestavam ansiedade.

- A tua irmã matou-se! – Um choro transparecia-se pela respiração ofegante. 

Beatriz não podia acreditar naquelas palavras, as lágrimas cristalinas caiam-lhe pelo rosto delicado. Não podia ser.

- Mas como mãe? Porquê?

- Eu tentei salva-la filha juro que tentei, mas aquela maldita onda a engoliu.

FIM

2 Comentários:

BM disse...

Adorei a historia...

Starstruck disse...

Mto bom! Como já é habitual ;)

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