Estremecer - Parte 1
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«Foi aquele maldito olhar que me
fez estremecer, que fez com que todo o meu mundo condensasse apenas em ti. Terminaste
com a minha paz, estava tão bem sozinho. Cerrei os meus punhos com tanta força
quando te vi, que as minhas unhas quase que entravam na minha carne, tal como o
teu olhar entrou no meu íntimo.
As minhas forças esgotaram-se e
cedi, mais uma vez cedi. Só te queria a ti nos meus braços, sentir a tua pele,
sentir o teu cheiro. Carnal, tu és tão carnal. Esse teu jeito inocente é uma
verdadeira maldição, hipnotiza-me, enlouquece-me, cega-me.
Demovido pelo teu feitiço comecei
a caminhar em tua direcção, o meu coração parecia não caber mais no meu peito, geraste
em mim uma tempestade que ironicamente só tu a podias travar.»
- Matias! – Soou uma voz doce – O
que fazes aqui?
- Vim ao teu casamento, não viste
a minha confirmação? – Retorquiu de forma cáustica. – Já te disse que estás
linda com esse vestido? – Perguntou com mágoa e ansiedade.
Mariana com as suas mãos
delicadas segurou o seu vestido preenchido de renda e deu uma volta, exuberando
assim cada curva do seu corpo.
- Gostas? – Murmurou de forma
provocativa, ao mesmo tempo que segurava uma madeixa do seu cabelo rebelde.
Matias não conteve mais a sua vontade
primitiva, segurou-a pelo punho e levou-a longe daquele maldito salão. Estava
escuro lá fora, a brisa estava fria, ninguém se atrevia a ir para aquele
jardim, excepto aqueles dois. Era agora que ele ia saciar a sua vontade, era
agora que ia consumir aquele desejo. Só via a ela, apenas a ela. Ao passearem
pelos altos arbustos a ânsia era quase que palpável, as respirações ofegantes
era a única coisa que se ouvia naquela escuridão. As passadas eram cada vez
maiores, tinham que ir para bem longe para ninguém os ver.
Mariana tentava acompanhar o seu
amante, mas algo intrometeu-se na sua passada, algo estranho acabando por se
desequilibrar. Caiu.
- Mariana, estás bem? – Perguntou
Matias aflito.
- Acho que perdi o meu brinco.
Tens o telemóvel aí contigo?
- Sim tenho. - Tirou o telemóvel
prontamente para iluminar o solo.
Uma luz, um grito.
Continua...

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